Desenhando uma solução de backup do zero

Desenhando uma solução de backup do zero

Olá pessoal. Quando alguém me pede ajuda para começar um projeto de proteção de dados, a primeira coisa que muita gente espera ouvir é o nome de um produto ou o tamanho do repositório. Só que quem já passou por um projeto de verdade sabe que começar pelo produto é começar pelo fim. A ideia desse post é mostrar como eu uso a metodologia que estudei para o VCAP-DCV Design para desenhar uma solução de backup do zero.

Lá em 2020, estudando para o exame, escrevi sobre requisitos, premissas, restrições e riscos, sobre design conceitual, lógico e físico e sobre o AMPRS. O foco na época era o VMware vSphere, mas a lógica serve muito bem para backup. Tudo começa no levantamento, e no backup os itens têm nome e número:

  • Requisitos: RTO (quanto tempo o negócio aguenta parado), RPO (quanto dado pode perder), retenção e compliance (LGPD, auditoria, regulação do setor)
  • Restrições: orçamento, link entre os sites, storage que já existe e precisa ser reaproveitado
  • Premissas: “o link suporta a cópia diária para o site secundário”, “o restore vai funcionar”
  • Riscos: ransomware alcançando o repositório, premissa não validada, backup que nunca foi testado

Com isso em mãos vem o desenho. No conceitual fica a visão de alto nível, por exemplo: “os servidores críticos precisam voltar em até 4 horas e ter uma cópia fora do site principal”. No lógico vem as decisões: quantas cópias, onde ficam, qual delas é imutável, como os jobs se organizam. É aqui que entra a regra 3-2-1-1-0, que segundo o guia de boas práticas da Veeam pede três cópias, em duas mídias diferentes, uma fora do site, uma imutável ou offline e zero erros na verificação de recuperação. No físico vai o que todo técnico gosta: servidores, discos, hostnames, endereços IP, a versão do Veeam Backup & Replication, o repositório Linux hardened, o bucket com Object Lock.

Fonte https://twitter.com/StevePantol

Depois uso o AMPRS como checklist. O servidor de backup também precisa estar disponível, o ambiente precisa ser simples de gerenciar, a janela de backup precisa caber no tempo que o negócio permite, o próprio backup precisa ser recuperável (o backup da configuração entra aqui) e a segurança precisa estar no desenho desde o começo, ou seja, imutabilidade, MFA e credenciais separadas. Na minha experiência, a maior parte dos problemas que encontro em ambientes de backup não é de produto, é de requisito que ninguém perguntou. É um RPO de 24 horas quando o negócio esperava uma ou uma retenção de 30 dias quando a auditoria pede cinco anos. E a premissa mais perigosa de todas é “o restore vai funcionar”, que só deixa de ser premissa quando é testada.

Por fim, o produto é a parte mais fácil do projeto (Veeam, é claro!). O importante é saber o que o negócio precisa, documentar o que foi assumido e tratar os riscos antes que eles virem incidente. Com isso bem feito, o desenho físico quase se escreve sozinho.

É isso turma. Até a próxima!

Ricardo Conzatti é especialista em TI e apaixonado por virtualização e proteção de dados. É graduado em Sistemas de Informação, pós-graduado em Gestão de TI e acredita muito na teoria da pirâmide de aprendizagem de William Glasser. Ricardo também é blogger, palestrante, podcaster e muito envolvido com comunidades técnicas. Ex-líder do VMUG Paraná e ex-host do vBrownBag Brasil, além de ser VMware vExpert & vExpert PRO. Possui várias certificações técnicas VMware, Microsoft e Veeam.

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