Alta Disponibilidade, Recuperação de Desastre e Recuperação Cibernética
Lá em 2017 eu escrevi o post Alta Disponibilidade e Recuperação de Desastre para explicar a diferença entre HA e DR e relendo hoje, a explicação continua valendo. O que mudou foi o cenário: naquela época a grande preocupação era perder um hypervisor ou o data center inteiro, hoje a preocupação é chegar de manhã e encontrar tudo criptografado. O intuito deste post é falar sobre a terceira disciplina que entrou nessa conversa, a recuperação cibernética.
O ponto é simples, mas muita gente ainda não parou para pensar nele: a replicação que sustenta o DR não sabe diferenciar um dado bom de um dado ruim. Se um ransomware criptografa os servidores no site principal, ou se alguém executa um script que corrompe o banco de dados, essa alteração vai para o site secundário em minutos (ou em segundos, no caso de replicação síncrona). Ou seja, você ativa o DR e encontra exatamente o mesmo problema do outro lado. O HA tem o mesmo limite, porque vai manter disponível uma máquina virtual que já está comprometida. E os números não ajudam: segundo o relatório de ransomware de 2025 da Veeam, 7 de cada 10 organizações foram atacadas no último ano, e das atacadas só 10% recuperaram mais de 90% dos dados.
E é exatamente aí que entra a recuperação cibernética. Basicamente, ela parte do princípio de que o ambiente de produção e a sua réplica já não são confiáveis, e se apoia em três pilares:
- Backup imutável: cópias que não podem ser alteradas nem apagadas durante um período definido, nem mesmo por um administrador com a credencial comprometida, como no Hardened Repository do Veeam Backup & Replication.
- Ponto limpo: saber qual é o último ponto de restauração sem malware, verificando o backup antes de restaurar (no Veeam, com o Secure Restore).
- Recuperação isolada: restaurar em um ambiente separado (clean room), validar e só depois devolver para a produção, como no cenário de clean room do Veeam Recovery Orchestrator.
Acredito que o erro mais comum hoje é achar que uma disciplina substitui a outra. Elas se complementam, cada uma cuidando de um tipo de problema: o HA protege de falha de hardware, o DR protege da perda do site e o backup imutável protege de ataque e de erro. É comum encontrar ambientes com replicação entre dois data centers e nenhuma cópia imutável, o que dá uma falsa sensação de segurança. A própria Veeam recomenda a regra 3-2-1-1-0, que pede pelo menos uma cópia imutável ou offline e backups verificados, livres de malware, antes da restauração. Se você quer ver isso na prática, escrevi uma série sobre o Veeam Recovery Orchestrator com o VMware vSphere e outra sobre o Disaster Recovery do Veeam Kasten, para quem está no mundo kubernetes.
E a analogia do post antigo continua valendo: o HA é o governador, o DR é o presidente. Só que agora tem mais uma pessoa nessa mesa, a que guarda uma cópia que ninguém consegue alterar e só abre a porta depois de confirmar que o que está entrando está limpo (essa frase ficou estranha, mas é isso haha 🙂)
Valeu. Até a próxima!