SureBackup e SureReplica no Veeam Backup & Replication. Diferencie backup de expectativa

SureBackup e SureReplica no Veeam Backup & Replication. Diferencie backup de expectativa

O job terminou com sucesso, ficou verde na console e o relatório chegou por e-mail. Pronto, todo mundo dorme tranquilo. O problema é que o job verde prova apenas que os dados foram copiados para o repositório, e não que a restauração vai funcionar quando for necessária. A ideia desse post é falar um pouco sobre isso e sobre como o Veeam Backup & Replication ajuda a resolver esse problema.

Um backup pode estar completo e mesmo assim não servir para nada: a VM não dá boot, o sistema operacional está corrompido, o banco de dados não sobe, o controlador de domínio não inicializa ou pior ainda, o malware já estava dentro dos backups havia semanas. E normalmente isso é descoberto no pior momento possível, ou seja, no meio de um incidente, com o negócio parado. Testar manualmente funciona, mas na prática quase ninguém testa com a frequência necessária. É uma VM aqui, outra ali, uma vez por ano, quando sobra tempo.

E é exatamente aí que entra o SureBackup. Segundo a Veeam, é a tecnologia que permite testar os backups das máquinas e verificar se é possível recuperar os dados de qualquer restore point. No modo Full recoverability testing, o SureBackup job liga as VMs diretamente do backup (através do vPower NFS) em um virtual lab, isolado da produção, junto com um application group com as dependências delas (DC, DNS, etc), e executa os testes:

  • Heartbeat test: verifica se o sinal de heartbeat do VMware Tools está chegando da VM
  • Ping test: verifica se a VM responde ao ping na rede isolada
  • Scripts de aplicação: predefinidos ou customizados, testam se a aplicação (SQL Server, por exemplo) está respondendo, e o retorno 0 indica sucesso
  • Backup integrity check: um CRC check que valida se o arquivo de backup não está corrompido
  • Varredura de malware: com o Veeam Threat Hunter, com o antivírus que você já usa ou com regras YARA
Fonte: https://helpcenter.veeam.com/docs/vbr/userguide/surebackup_hiw.html?ver=13

Também existe o modo Backup verification and content scan only, que faz apenas a verificação de integridade e a varredura do conteúdo, sem precisar de virtual lab nem de application group. Para quem usa réplicas, a mesma lógica se aplica com o SureReplica, que verifica cada restore point das réplicas de VM sem impactar a produção. Os testes são os mesmos, com exceção da validação do arquivo de backup, que não se aplica a réplicas, e lembrando que a varredura com YARA também não é suportada para réplicas.

Na minha opinião, o teste de restauração automatizado deveria ser obrigatório e não um “algo a mais” para quando sobrar tempo. As auditorias e as seguradoras de risco cibernético já cobram evidências de que a restauração foi testada, e o relatório do SureBackup job serve justamente como essa evidência. Uma dica para começar é criar um job com as VMs mais críticas e associa-lo ao job de backup (a documentação recomenda isso para evitar conflito de agendamento). Depois é só ir ampliando aos poucos.

No fim das contas, backup existe para ser restaurado. Se a restauração nunca foi testada, o que você tem é uma expectativa e não um backup. Melhor descobrir um problema numa terça-feira qualquer, num ambiente isolado, do que no dia em que tudo parou 🙂

É isso aí, pessoal. Até a próxima!

Ricardo Conzatti é especialista em TI e apaixonado por virtualização e proteção de dados. É graduado em Sistemas de Informação, pós-graduado em Gestão de TI e acredita muito na teoria da pirâmide de aprendizagem de William Glasser. Ricardo também é blogger, palestrante, podcaster e muito envolvido com comunidades técnicas. Ex-líder do VMUG Paraná e ex-host do vBrownBag Brasil, além de ser VMware vExpert & vExpert PRO. Possui várias certificações técnicas VMware, Microsoft e Veeam.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *