DSPM: o que é e por que a Veeam foi atrás disso

DSPM: o que é e por que a Veeam foi atrás disso

Hoje vamos falar sobre DSPM (Data Security Posture Management), uma sigla que até pouco tempo atrás quase não aparecia no mundo do backup, mas que tende a aparecer cada vez mais e a fazer parte do dia a dia de quem trabalha com Veeam. A ideia é explicar o que é, para que serve e por que a Veeam resolveu investir pesado nisso.

Os dados de uma empresa hoje estão espalhados por todo lado: servidores no datacenter, nuvem pública, aplicações SaaS, file servers, bancos de dados e, mais recentemente, pipelines de IA. Na prática, muitas vezes ninguém sabe dizer onde estão os dados sensíveis, quem tem acesso a eles e se estão expostos. O DSPM é uma abordagem de segurança centrada no dado e não na infraestrutura. Ou seja, enquanto o CSPM olha a configuração da nuvem, o DSPM olha o que está guardado nela. Segundo a própria Veeam, a ideia é entender a postura de segurança do próprio dado. Basicamente, o DSPM trabalha em quatro frentes:

  • Descoberta: encontrar os repositórios de dados, inclusive aqueles que ninguém lembrava que existiam (o famoso shadow data)
  • Classificação: identificar o que é sensível, regulado ou crítico para o negócio, como dados pessoais e financeiros
  • Acesso: mapear quem consegue acessar o quê, sejam pessoas, aplicações ou agentes de IA
  • Risco: apontar as exposições (permissão excessiva, dado sensível em local público, configuração errada) e o que precisa ser corrigido

E foi exatamente nesse mercado que a Veeam foi buscar a Securiti AI. A intenção de compra foi anunciada em outubro de 2025 e, segundo o comunicado oficial, a aquisição foi concluída em 11 de dezembro de 2025, por US$ 1,725 bilhão. Cerca de 600 funcionários da Securiti AI vieram para a Veeam, e o fundador e CEO, Rehan Jalil, assumiu como President of Security and AI. A Veeam descreve a Securiti AI como líder em DSPM, privacidade, governança e confiança em IA, e fala em uma plataforma unica com visibilidade, segurança, governança e recuperação de todos os dados: produção, backups e pipelines de IA.

Acredito muito que o ponto mais interessante é este: o backup já tem uma cópia de quase tudo. Se tem cópia de tudo, tem também cópia dos dados sensíveis, muitas vezes guardados por anos por causa da retenção. Ou seja, o repositório de backup é um dos lugares do ambiente com mais dado sensível concentrado, e quase ninguém olha o que tem lá dentro. Já escrevi sobre criptografia e imutabilidade no Veeam Backup & Replication, que impedem que o backup seja lido, apagado ou alterado por quem não deveria, mas que não dizem nada sobre o conteúdo. Saber o que existe nos dados, inclusive nos backups, passa a fazer parte da proteção. Depois de um incidente, por exemplo, não basta restaurar: é preciso saber quais dados foram afetados e se algum deles era sensível.

No fim das contas, faz bastante sentido juntar quem guarda a cópia dos dados com quem sabe dizer o que tem neles. O que já saiu de integração entre os produtos fica para um próximo post. Por enquanto, o importante é entender o conceito, porque daqui para frente ele vai aparecer cada vez mais junto com backup.

É isso aí, pessoal. Até a próxima!

Ricardo Conzatti é especialista em TI e apaixonado por virtualização e proteção de dados. É graduado em Sistemas de Informação, pós-graduado em Gestão de TI e acredita muito na teoria da pirâmide de aprendizagem de William Glasser. Ricardo também é blogger, palestrante, podcaster e muito envolvido com comunidades técnicas. Ex-líder do VMUG Paraná e ex-host do vBrownBag Brasil, além de ser VMware vExpert & vExpert PRO. Possui várias certificações técnicas VMware, Microsoft e Veeam.

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