O custo escondido do backup na nuvem
Hoje vamos falar sobre um assunto que aparece em quase toda conversa sobre backup na nuvem: o custo. Colocar uma cópia dos backups fora do datacenter é uma das melhores decisões que se pode tomar, a regra 3-2-1 agradece, mas muita gente só descobre quanto isso custa de verdade quando chega uma fatura bem mais salgada do que o esperado. E normalmente o problema não está no preço por TB, que é o número que todo mundo olha, mas em tudo o que vem junto com ele.
Nos hyperscalers, como o Amazon S3 e o Azure Blob Storage, o armazenamento é só uma das linhas da conta. Os itens que mais pesam, e que quase nunca entram na planilha inicial, são estes:
- Egress: a saída de dados da nuvem é cobrada por GB, ou seja, toda vez que você traz o backup de volta, paga por isso
- Chamadas de API: cada escrita, leitura ou listagem é uma requisição cobrada, e um backup em object storage é dividido em uma quantidade enorme de objetos
- Retenção longa: pontos GFS de meses ou anos multiplicam a capacidade, e as classes mais baratas exigem um tempo mínimo de permanência, com cobrança se o dado for apagado antes
- Restauração em massa: num ataque de ransomware é preciso trazer dezenas de TB de uma vez, justamente quando ninguém está pensando em custo
E é aí que entra o Veeam Vault (oficialmente Veeam Data Cloud Vault), o armazenamento em nuvem da própria Veeam, que roda no ambiente da Microsoft ou AWS. A proposta é simples: um preço fixo por TB por mês, com as chamadas de API, as leituras e o egress incluídos. Segundo a página oficial do produto, hoje são três edições, com cobrança anual antecipada e preços que podem variar por região: Archive, Foundation e Advanced. Lembrando que cada edição tem as suas regras: no Foundation, as leituras e restaurações entram no preço dentro de uma politica de uso justo de 20% da capacidade contratada por ano, já no Advanced, são ilimitadas. No Archive, a recuperação é cobrada à parte e a retenção mínima é de 180 dias. Além disso, todos os backups no Veeam Vault são imutáveis por padrão e essa imutabilidade não pode ser desligada, algo que considero essencial, como comentei em Criptografia e Imutabilidade no Veeam Backup & Replication.
Acredito que o ponto mais perigoso da lista é a restauração em massa. Backup que da receio de restaurar por causa do preço não está cumprindo o seu papel, e é exatamente isso que o modelo de preço previsível resolve: você sabe quanto vai pagar no fim do mês, não importa quantos testes de restauração fizer ou quanto precisa recuperar em um incidente. O Veeam Vault funciona como repositório para o Veeam Backup & Replication e também recebe backups de Kubernetes via Veeam Kasten, que apresentei em Conhecendo o Veeam Kasten. Para ambientes críticos ou com restaurações frequentes, o Advanced é o mais recomendado, já para retenção longa, que quase nunca é lida, o Archive faz mais sentido.
Espero ter conseguido deixar claro que o preço por TB é só o começo da conversa. Antes de escolher onde colocar a cópia off-site, vale simular o pior dia possível e perguntar quanto custaria restaurar tudo. Se a resposta for “depende”, talvez seja hora de olhar para um modelo com preço previsível.
É isso aí, pessoal. Até a próxima! 🙂
